Ajudando ou sendo ajudado?

Certa feita me vi tomado de uma crise emocional e de profunda tristeza, a dor era tão profunda que eu chorava copiosamente mesmo não achando um motivo claro para justificar tamanho desespero. Não conseguia coordenar meus pensamentos pois parecia que toda minha carga emotiva acumulada de décadas resolveu se manifestar de uma só vez.


Depois de um certo tempo me peguei rezando pedindo a Deus que me aliviasse e desse uma direção, depois de alguns minutos recebi uma ligação de uma amiga próxima.


Rey, que bom que você me atendeu, estou precisando conversar contigo pois eu não estou bem, estava rezando e me veio você na mente. Falou minha amiga.

Que foi que houve? Perguntei.


Após uns 30 minutos de conversa na qual tentei ser um bom e prestativo ouvinte, ela desligou agradecendo pois estava se sentindo melhor. Minutos após a ligação, a minha tristeza voltou e eu olhei para cima, como querendo localizar Deus, e afirmei:

Deus, o senhor está com problema de ouvido ou deve ser interferência no WIfi,só pode ser. Eu rezei pedindo consolo para mim e o senhor me manda alguém pra consolar, e eu? Não mereço compaixão não?


Voltei a rezar após alguns segundos de indignação, mas sendo mais específico no que estava pedindo pra evitar problemas de comunicação, mas fui interrompido por uma outra ligação de um amigo muito querido que não falava fazia tempo.


Oi Rey tudo bom? Saudades de ti como estão as coisas? Perguntou ele.

Estou com uns probleminhas e você? Respondi, na esperança de que poderia ter a chance de desabafar e ter o consolo que tinha pedido a Deus, mas pra minha surpresa ele respondeu:


Nem fale Rey, eu também estou com um problemão…


Meu amigo começou a descrever o que estava passando com ele e o interessante é que eu tinha muito em comum com o que ele estava sentindo. Depois de quase uma hora de conversa, ele me agradeceu por ter mostrado outros pontos de vistas quanto aos seus dilemas, ele já estava se sentindo melhor e motivado e nos despedimos.


Fig 01 - Efeito da caridade

Ao desligar o telefone senti algo muito interessante, a minha dor ainda estava lá mas mudou a dimensão dentro de mim. Foi então que percebi que as ligações foram na realidade a resposta às minhas orações pois o meu campo mental estava contraído pois meu único foco estava sendo a dor que sentia, a partir do momento que me permitir me ser instrumento de auxílio para os outros, automaticamente meu campo mental se expandiu, a minha dor deixou de ser meu foco e diminuiu a dimensão. Veja a fig 01:


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